Roma – Parte III Vaticano + Necrópole

5 Abril, 2014 2 Por Piki
O terceiro dia em Roma foi todo passado no Vaticano, começámos pelos museus. Mesmo assim queria ter tido mais tempo porque deixámos muita coisa para ver…
O Vaticano é a menor cidade-estado do mundo, é muralhado mas tem várias entradas. Para verem os museus têm de sair das muralhas, e seguir as setas com a informação da entrada (é fácil, está tudo bem sinalizado).
Uma dica muito importante é comprarem o bilhete para os museus e Capela Sistina pela internet (20€), quando lá chegam é só dirigirem-se a um balcão exclusivo das reservas online que é muito rápido e assim passam aquela fila enooooooooorme! Podem comprar o bilhete AQUI!
Os museus do Vaticano são um mundo, na verdade é só um museu mas falamos no plural porque se divide em várias salas com várias temáticas, se quiserem ver tudo com calma penso que um dia inteiro é mesmo o ideal. Ali estão reunidas as maiores colecções de arte do mundo. Quando forem levantar os bilhetes, é-vos dado um mapa do museu, há um percurso mais curto que passa em meia dúzia de salas e vai direito à Capela Sistina e outro mais longo que percorre todo o museu e as várias salas, o meu conselho é que olhem para o mapa e definam o que querem ver. Não sigam logo a abrir para a Capela Sistina porque o museu é mesmo imperdível.
Como tínhamos hora marcada para uma visita especial à tarde (já lá vamos), escolhemos o percurso mais longo mas não nos demorámos muito em cada sala. Demos especial atenção a algumas salas que nos cativavam mais mas outras que não nos diziam tanto acabaram por ser de passagem.
Na Capela Sistina é a confusão total, há imensa gente a acotovelar-se, guardas por todo o lado a gritar “NO PHOTO” e a nossa sorte foram os binóculos que a Sylvie nos deu logo no primeiro dia (aquela mulher pensa em tudo)!
Quando entramos e após nos distanciarmos da confusão de pessoas, começamos a apreciar o trabalho monumental que ali temos e é impressionante como Michelangelo conseguiu sozinho pintar o tecto e a parede do altar da Capela com tanto detalhe. Outros artistas entre os quais Rafael, Botticelli ou Bernini “vestiram” as paredes da Capela Sistina, tornando-a numa verdadeira obra de arte a não perder.

 

Tecto e esquema da Capela Sistina
(desculpem a qualidade mas foi o que se conseguiu à socapa)

 

Almoçámos muito rápido num restaurante/cantina que existe à saída do museu (deu para safar) porque a nossa visita foi um pouco diferente das visitas normais ao Vaticano…
Muita gente não sabe, mas por baixo da Basílica de São Pedro existe uma necrópole, onde está o túmulo de São Pedro e que pode ser visitada, com marcação bastante antecipada e com muita sorte se formos escolhidos. A visita é incrível e saber que não vão ali abaixo muitas pessoas é ainda mais especial. Temos de enviar um email para o Ufficio Scavi (escritório das escavações) a dizer o número exacto de participantes, o nome completo, a linguagem em que preferem que seja feita a visita e a dizer as datas em que vos seria possível ir. Eu dei os dias todos que ia estar em Roma, na linguagem escolhi português, inglês, italiano ou espanhol e no mesmo dia recebi um email a dizer que lamentavam mas que não me conseguiam a visita, que não tinham nenhuma vaga… Isto foi com uns 3 meses de antecedência, uma semana antes de irmos de viagem aquilo veio-me mais uma vez à ideia e reencaminhei o email anterior basicamente a implorar para nos deixarem ir e…. tchanaannnn no dia seguinte recebo um email a pedir o pagamento de 13€ por pessoa e a indicar-nos as horas da visita porque o meu pedido tinha sido aceite!
Assim e tentando não me estender muito, vou explicar-vos um pouco do que aprendi com a guia que era brasileira e 5* a explicar tudo. Se estivermos de frente para a Basílica, a entrada para o Ufficio Scavi fica do lado esquerdo e temos de passar primeiro pela guarda suíça. A visita dura cerca de 1.30h, não se pode tirar fotografias e tudo o que levamos connosco passa por uma rigorosa inspecção antes de entrarmos.
A primeira coisa que a guia nos disse quando se encontrou connosco em frente  à porta do Ufficio Scavi foi “Prestem atenção ao quadrado branco junto à porta do escritório das escavações, sabem o obelisco que hoje em dia vemos no centro da Praça de São Pedro? Ele antes ficava aqui e foi provavelmente a última coisa que São Pedro viu antes de morrer”. Isto porque, onde hoje podemos encontrar a Praça e a Basílica de São Pedro, foi  em 12 d.C. um circo romano, começado por César e acabado por Nero, passou a chamar-se o Circo de Nero. Local que servia para diversão do imperador e para execuções públicas incluindo a execução de São Pedro.
Começamos a descer as escadas da necrópole e o ambiente fica abafado e muito húmido (é propositado para se manterem as condições de conservação). A necrópole é enorme, chega até ao Castelo de Sant’Angelo, fora dos muros do Vaticano, a luz não abunda e os corredores são estreitos, não é indicado para pessoas claustrofóbicas…
A necrópole só foi descoberta muito recentemente, sob o comando do Papa Pio XII. Em 1939 começaram as escavações no maior dos secretismos, foi durante a II Guerra Mundial e receava-se que Hitler se interessasse pelo local. O túmulo de São Pedro foi descoberto, sim e agora podem dizer “ah e tal, mas sabe-se lá se é mesmo”, bom sugiro que façam a visita para satisfazerem a curiosidade, fazerem mil perguntas à guia e perceberem o porquê de se afirmar estarem ali os restos mortais de Pedro, se eu contasse tudo perdia a piada não é!?
Mesmo para quem não é religioso a tour é historicamente muito interessante e tem a conveniência de acabar nos túmulos dos papas dentro da Basílica, assim ao fazer a visita à necrópole saltamos também a fila exterior para a Basílica de São Pedro cuja entrada é gratuita mas tem sempre uma fila enormíssima para entrar, porque toda a gente tem de passar no detector de metais o que atrasa o processo…

 

A Basílica de São Pedro é colossal, de ficar mesmo de queixo caído! É um dos locais cristãos mais visitados de todo o mundo, a sua cúpula projectada por Michelangelo, é vista de praticamente qualquer ponto da cidade. À semelhança da Basílica Santa Maria Maggiore, também esta é uma das quatro basílicas patriarcais de Roma.
Podemos encontrar obras como a famosa “Pietá” de Michelangelo ou a estátua de bronze de São Pedro, não consigo explicar por palavras a imensidão do monumento, mas deixo-vos algumas fotografias que tirámos e um link para a wikipédia com informação super detalhada.
A basílica está aberta todos os dias das 7h da manhã até as 18.30 / 19h, conforme seja horário de Inverno ou Verão. A entrada, como já referi, é gratuita e pode subir-se à cúpula, a subida é paga 7€. Muita atenção ao vestuário, porque aqui não entram se forem com roupa acima dos joelhos, ombros ou decote a descoberto…
Quando saímos do Vaticano ainda passámos em frente ao Castelo de Sant’Angelo mas não entrámos.

Interior da Basílica de São Pedro
“Pietá” e lista de todos os Papas ali sepultados
Castelo de Sant’Angelo
À noite fomos a umas das melhores e mais conhecidas pizzarias de Roma, “Pizzeria Ai Marmi”que ficava relativamente perto do nosso apartamento.
É uma pizzaria tradicional, sem requintes e com bons preços, pagámos 31€ por entradas, 2 pizzas bem grandes, 3 Peroni e 2 cafés. As pizzas eram excelentes, cozidas em forno de lenha, e muito bem feitas. Se lá forem não deixem de provar as flores de abóbora fritas, aquilo é bom à brava e os bolinhos de arroz recheados com queijo.
Para mim o único ponto fraco é que estava cheio de gente, o que torna o ambiente mais barulheto e confuso, mas é normal, afinal a reputação deles é mesmo muito boa. Acho que é daqueles sítios que ou se gosta muito (pela comida) ou se detesta (pelo ambiente confuso e um pouco “taberneiro”), de qualquer forma a ideia era comer uma excelente pizza e ficámos muito satisfeitos!
Ahhhh importante, não aceitam pagamento com cartões!

 

Pizzeria Ai Marmi