Roma – Parte II

29 Março, 2014 0 Por Piki
Trastevere é um bairro simpático, seguro e cheio de vida! Originalmente não pertencia a Roma, e o seu nome significa “além do rio Tevere”. Fomos andando pelas suas ruazinhas pitorescas com casas medievais onde predominam os tons quentes, até  à Igreja Santa Maria in Trastevere a primeira dedicada à Virgem Maria. É umas das mais antigas de Roma, está numa praça com o mesmo nome e o seu aspecto exterior não é tão rico em pormenores como no interior. Os mosaicos da abside são da autoria de Pietro Cavallini e retratam cenas da vida de Maria. Tenho uma perdição especial pelos tectos dos monumentos e este é sem dúvida uma obra de arte. A igreja em si não é muito grande, mas é de facto muito bonita e rica em pormenores.
Ruas de Trastevere e Porta Settimiana

 

Igreja Santa Maria in Trastevere

 

 

Apesar de Trastevere ser do outro lado do rio, rapidamente nos colocamos a pé no centro da cidade.
Fomos até ao Campo de Fiori, onde se realiza todos os dias (excepto ao Domingo) o mercado das flores. Comprei algumas especiarias para trazer e outras lembrancinhas, além das flores também se vendem lá produtos frescos (legumes, frutas, etc)… Curiosamente é a única praça em Roma onde não há uma só igreja.
Dali até à Piazza Navona foi um instantinho, a praça tem uma fonte bastante conhecida no centro, a Fonte dos Quatro Rios que, à semelhança da Fontana della Barcaccia, teve a mão de Bernini. É comum ver-se por lá todos os dias vários tipos de artistas.

 

Piazza Navona

 

O Panteão foi a paragem seguinte, a entrada é gratuita por isso vão encontrar muitas pessoas mas nada de filas.
Construído inicialmente para os Deuses romanos, o Panteão sofreu um enorme incêndio em 80 d.C. e foi totalmente reconstruído no ano 125 d.C. Mais tarde foi oferecido ao Papa Bonifácio IV que o tornou um local de culto a Santa Maria e Todos os Santos. A cúpula é o elemento central e a luz que temos lá dentro deve-se ao círculo aberto no centro da cúpula que ilumina todo o templo. Hoje em dia podemos ali encontrar os restos mortais de importantes figuras italianas, como é o caso do pintor Rafael, ou do rei Vittorio Emanuele II.

 

Claro que não podíamos deixar de ir à Fontana di Trevi, a  maior, mais imponente e uma das mais bonitas fontes em Roma.
Antigamente era comum construir-se uma fonte no local onde acabava um aqueduto, a Fontana di Trevi marca o final do aqueduto Aqua Virgo. A lenda de atirar de costas a moedinha à água para se retornar a Roma, é uma das muitas lendas desta fonte. E o que acontece às moedas que são atiradas para a fonte, perguntam vocês? Todas as manhãs é efectuada uma manutenção à fonte, e as moedas (as que não foram surripiadas durante a noite) são recolhidas e trocadas para serem depois doadas à Caritas, doação que rende cerca de 700 mil euros por ano!!!
Dica: A fonte tem mesmo muita gente junta, o espaço em frente à fonte não é grande e por isso os carteiristas aproveitam, tenham um cuidado redobrado se não quiserem ir mais leves para casa…

Cumprindo a tradição

Almoçámos muito bem num café/restaurante numas arcadas a caminho da Basílica Santa Maria Maggiore, não me lembro o nome, mil desculpas e fico com pena porque estava mesmo muito bom e lembro-me que não foi nada caro…

A Basílica Santa Maria Maggiore fica muito perto da estação Termini. É uma das quatro basílicas patriarcais de Roma, maravilhosa e de enormes proporções, a sua decoração foi sendo alterada e melhorada ao longo dos anos. Junto ao altar, descemos umas escadas, temos uma estátua do Papa Pio IX a rezar e à sua frente está uma urna de prata que contém (diz-se que sim pelo menos) pedaços da manjedoura onde Jesus nasceu.

 

À noite andávamos pelas ruas de Trastevere à procura de um restaurante que tinha visto bem referenciado na internet, quando lá chegámos a espera era de cerca de 1h para termos mesa, nem pensar nisso. Como o bairro é muito “vivo” e com imensos restaurantes entrámos num outro que nos pareceu bem e animado! Nem sabíamos nós na animação em que nos íamos meter… Então quem não alinha em brincadeiras escusa de ir ao restaurante Cencio “La Parolaccia”, porque basicamente os “animadores” de serviço passam o tempo a cantar musicas “pimba” italianas e a mandar asneiradas e piadas picantes igualmente em italiano. Ora uma pessoa percebe umas coisas de italiano se for falado normalmente, mas no gozo e a falar mais rápido que eu sei lá, não se percebe grande coisa! Foi uma paródia pegada, com eles a cantarem musicas portuguesas e a falarem da Amália Rodrigues e do Ronaldo. Metiam-se com o pessoal de outras mesas mas assim que passavam na nossa, lá começavam “é uma casa portuguesa com certeza” e era a risota pegada é só entrar na brincadeira! No final jantámos bem não posso dizer que foi barato para o que comemos (49€), não foi, mas divertimo-nos imenso e fomos a um sítio diferente que foge dos habituais roteiros turísticos. Fica uma ideia das personagens!